
Cuidar da saúde e garantir o bem-estar da sua família envolve escolhas conscientes, e manter o calendário de vacinas em dia é, sem dúvida, a estratégia preventiva mais eficaz da medicina moderna. No entanto, em um mar de informações desencontradas, é fundamental saber o que é ciência e o que é desinformação para proteger quem amamos com segurança e tranquilidade
Para aprofundar esse tema, a Vidalink ouviu dois especialistas da Climep Vacinas, parceira da empresa: Paulo Lener Peixoto de Araújo Filho, médico responsável técnico, e Miriam Pereira Magalhães, enfermeira responsável técnica. A partir da experiência clínica e de evidências científicas, eles ajudam a esclarecer as principais dúvidas sobre a vacinação. Confira!
O que são vacinas e como funcionam
Antes de mergulharmos nos mitos, é fundamental entender a engenharia por trás da proteção. De forma simples, as vacinas estimulam o sistema imunológico a reconhecer agentes infecciosos (como vírus e bactérias) sem que você precise sofrer com a doença real. Elas funcionam como um “treinamento” para o corpo, ensinando-o a produzir defesas específicas — os anticorpos — que previnem doenças graves e suas complicações.
De acordo com o Dr. Paulo Lener, as vacinas reproduzem a infecção de forma controlada para que o organismo crie memória imunológica sem os riscos de sequelas que uma infecção natural poderia causar. No dia a dia, nosso sistema imunológico está em contato constante com diversos agentes. A vacina apenas direciona essa capacidade natural de defesa para alvos específicos e perigosos.
Existem, basicamente, duas formas principais de como elas se apresentam:
Vacinas Inativadas
Utilizam vírus ou bactérias “mortos” ou apenas fragmentos deles. Como não têm capacidade de se replicar, são extremamente seguras e representam cerca de 98% das vacinas usadas na prática clínica. Exemplos incluem a vacina da gripe e a contra o Herpes Zoster.
Vacinas Atenuadas
Contêm o agente infeccioso vivo, mas muito enfraquecido. Elas simulam a doença de forma branda para gerar uma proteção robusta, como ocorre com as vacinas de sarampo e catapora.
Independentemente do tipo, o objetivo é o mesmo: garantir que, se você for exposto ao agente real no futuro, seu corpo já saiba exatamente como combatê-lo de forma rápida e eficaz
Como as vacinas protegem o organismo
Quando uma vacina é aplicada, o organismo entra em contato com uma versão segura do vírus ou da bactéria — que pode estar inativada, enfraquecida ou representada apenas por partes desse agente. A partir desse contato, o sistema imunológico passa a produzir anticorpos, que são as defesas naturais do corpo.
Esses anticorpos ficam registrados na memória do organismo. Assim, se a pessoa tiver contato com o vírus ou a bactéria no futuro, o corpo já saberá como reagir, combatendo a infecção de forma mais rápida e eficiente. Isso ajuda a evitar a doença ou a reduzir bastante a gravidade, diminuindo o risco de complicações e internações.
Além disso, todas as vacinas passam por testes rigorosos de segurança e continuam sendo monitoradas mesmo após começarem a ser aplicadas na população. Esse acompanhamento garante que a vacinação seja uma forma segura e confiável de proteção.
Por que ainda existem tantos mitos sobre vacinas?
Mesmo sendo amplamente estudadas, as vacinas ainda são alvo de desinformação. Isso acontece porque notícias falsas costumam se espalhar rápido e, muitas vezes, usam o medo como argumento principal.
Na prática, muitos desses mitos surgem de confusão entre reação e doença, ou da falta de explicação sobre como o corpo responde à vacina.
Abaixo vamos esclarecer os principais mitos. Continue lendo!
10 Mitos e Verdades sobre a imunização
1. A vacina da gripe causa gripe
MITO. Este é um dos relatos mais comuns no dia a dia clínico. A vacina contra a gripe é produzida com vírus inativados. O que muitos confundem com a doença são reações do próprio sistema imunológico.
Segundo a enfermeira Miriam Magalhães, “essas reações são resultado de uma resposta imune à vacina: exatamente o que o corpo deveria fazer”. Sintomas como dor no local (em 15% dos casos) ou febre baixa (1% a 2%) costumam desaparecer em até 72 horas.
Além de reduzir o número de casos, a vacinação anual contra a gripe diminui a gravidade da doença e o risco de complicações, especialmente em idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e imunossuprimidos.
2. Vacinas causam autismo
MITO. Não existe qualquer comprovação científica que relacione a vacinação ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Estudos globais, incluindo uma análise com mais de 1 milhão de crianças pela revista Vaccines, já descartaram essa possibilidade. O Dr. Paulo Lener reforça que “todas as vacinas liberadas para uso são previamente testadas quanto à sua segurança e eficácia”.
3. É melhor ter a doença naturalmente do que se vacinar
MITO. A infecção natural expõe o indivíduo a riscos graves e sequelas permanentes. As vacinas permitem que o corpo produza defesas de forma controlada e segura. Além disso, a imunização reduz drasticamente as hospitalizações. A vacina contra a Dengue (Qdenga), por exemplo, reduz em cerca de 84% as internações causadas pelas formas graves da doença.
4. Vacinas podem causar a doença que elas previnem?
MITO (na grande maioria dos casos). Cerca de 98% das vacinas utilizadas, como as contra gripe, meningite e herpes zoster, são inativadas e incapazes de produzir a doença. Apenas vacinas de vírus atenuados, como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a catapora, podem, muito raramente, causar versões extremamente leves e brandas da enfermidade, que evoluem positivamente em poucos dias.
“É muito comum, principalmente em crianças, que algumas vacinas causem reações leves, como febre baixa, mal-estar e dor no corpo, às vezes acompanhadas de vermelhidão e dor no local da aplicação. Entretanto, isso não configura doença e sim apenas uma reação extremamente leve do organismo à vacina”, explica a enfermeira Miriam.
5. Vacinas sobrecarregam o sistema imunológico
MITO. As vacinas do calendário vacinal podem ser feitas simultaneamente sem problemas. Bebês com 2 meses de idade tomam 3 vacinas em um dia e não apresentam nenhuma reação.
O sistema imunológico está em contato com diversos vírus, bactérias, fungos e outros agentes infecciosos, produzindo de forma contínua respostas de defesa, com a formação de anticorpos e células protetoras. Por isso, não há sobrecarga do sistema imune quando a vacinação é realizada de forma simultânea para diferentes doenças, nem aumento do risco de efeitos adversos.
6. Doenças que “desapareceram” não precisam mais de vacina
MITO. Em um mundo globalizado, o deslocamento entre países é rápido, e doenças raras em uma região podem ser mais comuns que em outras. Por isso, mesmo que determinadas doenças sejam raras em nosso país, é fundamental manter a vacinação em dia.
O Dr. Paulo Lener alerta que em 2025 já foi possível notar o retorno de algumas doenças, como sarampo e coqueluche no Brasil, devido à redução das taxas de vacinação.
7. Eventos adversos significam que a vacina é insegura?
MITO. Sintomas como febre baixa ou dor no local da aplicação são, na verdade, sinais de que o organismo está construindo proteção. Esses eventos são monitorados e, na maioria das vezes, fazem parte da resposta imunológica esperada.
8. A eficácia das vacinas muda com o tempo
VERDADE. A produção de anticorpos pode diminuir gradualmente, tornando as doses de reforço necessárias para reativar a memória imunológica. Isso é especialmente importante para vírus que sofrem mutações frequentes, como o da gripe e da COVID-19.
9. Vacinação é importante apenas na infância?
MITO. A imunização é necessária ao longo de toda a vida. Enquanto na infância ela protege contra doenças fatais e sequelas, em adultos e idosos ela é vital para reduzir complicações e hospitalizações. A partir dos 60 anos, o sistema imunológico passa pela imunossenescência (envelhecimento natural), tornando o reforço vacinal ainda mais necessário.
10. Reações fortes garantem maior proteção?
MITO. A eficácia de uma vacina não está ligada à intensidade dos efeitos colaterais. Cada organismo reage de uma forma, e a ausência de sintomas não significa que a vacina não funcionou.
Vacinas que adultos e idosos costumam negligenciar
Muitas vezes, o foco da vacinação fica restrito às crianças, mas adultos e idosos possuem necessidades específicas que garantem um envelhecimento saudável. Confira as principais vacinas que merecem atenção:
| Público | Vacinas Recomendadas | Benefício Principal |
| Idosos (60+) | Pneumo 20, Herpes Zoster, Influenza | Redução de pneumonia e dores crônicas. |
| Adultos | DTPa (Reforço a cada 10 anos) | Proteção contra difteria, tétano e coqueluche. |
| Adultos (até 45 anos) | HPV Nonavalente | Prevenção de diversos tipos de câncer (colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina, orofaringe) e verrugas genitais. |
| Público Geral | Dengue (Qdenga) | Redução de 84% nas hospitalizações graves. |
O impacto da imunização na qualidade de vida
A vacinação não é apenas uma questão de evitar uma febre; é sobre manter a autonomia. Ao se vacinar, você reduz gastos com medicamentos e hospitalizações, além de evitar sequelas que podem comprometer sua mobilidade e rotina ativa






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