/

/

Canetas emagrecedoras viram benefício corporativo

Blog

Compartilhe:Link copiado!

Canetas emagrecedoras viram benefício corporativo

Texto publicado originalmente no portal do jornal Valor Econômico.

O avanço dos tratamentos medicamentosos contra a obesidade chegou às políticas de benefícios corporativos. A Vidalink, empresa que oferece planos de bem-estar corporativo e planos de subsídios de medicamentos para funcionários, intermediou, nos últimos três anos, 93.979 compras de canetas emagrecedoras como Wegovy, Mounjaro e Ozempic realizadas por trabalhadores de mais de 200 empresas clientes da companhia.

Em 2026, até julho, foram realizadas 26.988 compras. Em 2025, foram 33.889 — 155% a mais em relação a 2024, em 2024, 21.882 compras; e no segundo semestre de 2023, 11.220 intermediações. “Vimos um crescimento muito expressivo após a liberação da venda do Mounjaro no Brasil, em maio de 2025″, comenta Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink.

No levantamento feito pela plataforma e antecipado ao Valor, o tiquete médio do gasto com as canetas emagrecedoras foi de R$ 1.700 por compra, entre julho de 2023 e julho de 2026, e a duração média do tratamento chegou a 221 dias. A taxa de recompra alcançou 70%, enquanto 30% dos usuários realizaram apenas uma compra e interromperam o tratamento. Os medicamentos mais adquiridos foram Wegovy, Mounjaro e Ozempic.

Os dados mostram, ainda, que 60% das compras foram realizadas por mulheres e 40%, por homens. No recorte por idade, 59% dos compradores pertencem à geração Millennial — pessoas nascidas entre 1981 e 1996; 30% são da geração X — entre 1965 e 1980; 8% são da geração Z — entre 1996 e 2012; e 3% são baby boomers.

Quando a empresa oferece o plano de medicamentos como benefício corporativo aos seus empregados, geralmente o plano inclui todos os medicamentos, explica Gonzalez, exceto as canetas emagrecedoras e medicamentos de alto custo, como os oncológicos, que, segundo ele, normalmente são oferecidos pelos planos de saúde. “No entanto, a empresa tem a opção de definir quais medicamentos e categorias serão contemplados pelo subsídio. Isso significa que a empresa pode, por exemplo, optar por incluir ou não as canetas emagrecedoras entre os medicamentos subsidiados”, detalha. “Nos casos em que a empresa opta por incluir essa categoria, o benefício pode ser utilizado para a compra dos medicamentos para controle de peso que estejam aprovados pela Anvisa e disponíveis no Brasil,”

Gonzalez alerta que, para realizar qualquer compra com subsídio, o usuário precisa obrigatoriamente submeter a receita médica à validação no aplicativo da plataforma, independentemente do tipo de medicamento. “A Vidalink audita previamente 100% das receitas, e o subsídio não é liberado sem a validação de uma prescrição médica válida”, afirma.

Assim, no caso das canetas emagrecedoras, o funcionamento é o mesmo: quando a empresa decide incluir essa categoria no benefício, o funcionário precisa passar por uma consulta médica, receber uma prescrição e submetê-la à validação da plataforma. “Com a receita validada, ele pode realizar a compra utilizando o subsídio oferecido pela empresa”, diz. “Dessa forma, o benefício está condicionado à existência de uma prescrição médica, contribuindo para um uso mais seguro e adequado do tratamento,”

Por que as canetas emagrecedoras viraram benefício?

Sobre por que as empresas estão escolhendo subsidiar esses medicamentos, Gonzalez diz que existe uma questão importante de saúde e bem-estar. “A obesidade é uma doença crônica e um problema relevante de saúde no Brasil, associada a um maior risco de diversas condições, como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, infarto e AVC”, explica. “Ao mesmo tempo, as canetas emagrecedoras ainda possuem um custo elevado para grande parte da população, o que dificulta o acesso ao tratamento. Nesse contexto, as empresas entendem que oferecer subsídio pode ser uma forma de ampliar o acesso a tratamentos prescritos e contribuir para a saúde e a qualidade de vida dos seus colaboradores.”

A prevalência da obesidade no Brasil aumentou nas últimas duas décadas, segundo dados do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde (SNVS) do Ministério da Saúde. Em 2024, 62,6% dos brasileiros tinham excesso de peso, contra 42,6% em 2006.

Gonzalez continua dizendo que, além da questão de saúde, as empresas também buscam oferecer benefícios mais inovadores e alinhados às necessidades atuais dos trabalhadores. “Nesse sentido, oferecer subsídio para medicamentos de controle de peso pode se tornar um diferencial importante para empresas que querem se destacar no mercado, ampliar sua proposta de valor aos colaboradores e fortalecer suas estratégias de atração e retenção de talentos.”

A psicóloga Mariana Clark, especialista em saúde mental no contexto organizacional, pontua que subsidiar tratamento é diferente de promover saúde, “Uma empresa que tem excessos, de trabalho, de pressão, uma empresa potencialmente adoecedora, pode oferecer meditação, terapia on-line, por exemplo, é legítimo e valioso, mas o que me incomoda são as incoerências, a baixa capacidade de falar sobre isso, uma sociedade que oferece caminhos mais curtos, saídas de emergências, enquanto sabemos que o caminho é de longo prazo”, diz. “Qual é o recado que uma organização dá, à medida que ela tem excessos, mas oferece caminhos mais curtos? Cada caso é um caso. Tem casos com indicação médica para isso [as canetas emagrecedoras), e aí é maravilhoso, mas é preciso avaliar o que está no contexto.”

Ela explica que a obesidade é multifatorial. “Quando a gente pensa em saúde ocupacional, sabemos quais são os modelos de trabalho que são fatores de proteção ou de risco: excesso de jornada, de pressão, de contradição, de incoerência. Qual é efetivamente a mensagem principal de uma empresa que está subsidiando esse tipo de tratamento e o que tem por trás disso?”, comenta. “É quase como um benefício virando um álibi organizacional. Preciso garantir o resultado, mas que caminho se está oferecendo? O quanto essas empresas estão genuinamente preocupadas em cuidar, em promover saúde?”, questiona.

Relação entre trabalho e obesidade

Alguns estudos associam o trabalho à obesidade. Um deles, publicado no International Journal of Obesity em 2020, reuniu dados individuais de 122.078 trabalhadores na Europa, Estados Unidos e Austrália, com acompanhamento médio de 4,4 anos. Entre pessoas que começaram o acompanhamento com peso considerado normal, trabalhar jornadas mais longas esteve associado a maior risco de desenvolver sobrepeso ou obesidade. Quem trabalhava 55 horas ou mais por semana apresentava risco 17% maior de desenvolver sobrepeso ou obesidade do que as pessoas com jornadas de 35 a 40 horas.

Já uma meta-análise de 2020, publicada na Obesity Reviews, reuniu 29 estudos e 374.863 participantes, e concluiu que longas jornadas estiveram associadas a uma chance 13% maior de desfechos adversos relacionados ao peso. Quando os pesquisadores analisaram especificamente obesidade (IMC ≥30), a associação foi de 23% maior chance. Os pesquisadores ressaltam que a obesidade é multifatorial, e que os achados levam a uma associação entre longas jornadas e a condição, e não a uma relação direta de causa e efeito.

Gonzalez diz que a proposta do novo benefício é combinar o acesso ao tratamento, quando indicado, com outros recursos que ajudam na construção de hábitos mais saudáveis e na promoção de uma jornada de cuidado completa, como planos alimentares personalizados, teste para avaliar hábitos alimentares, acesso a academias e teleterapia. “Afinal, o cuidado com o peso envolve diferentes aspectos da saúde e pode se beneficiar de uma abordagem multidisciplinar”, conclui.

O novo benefício corporativo não se resume ao Brasil. Em reportagem recente, o Financial Times mostrou que, nos Estados Unidos, 43% das grandes empresas (com 5.000 ou mais funcionários) incluíam medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, em seus planos de saúde no ano passado — um aumento em relação aos 28% do ano anterior, segundo a KFF, organização americana de pesquisa em saúde. No Reino Unido, a Vitality tornou-se, em 2025, a primeira a oferecer subsídio para as canetas emagrecedoras, diz a reportagem.

Clique aqui para conhecer o Vidalink+ Peso Saudável.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Conteúdos relacionados

Receba o conteúdo do Blog Vidalink em primeira mão

Saiba mais sobre bem-estar corporativo e fique por dentro de tudo que acontece no universo de Recursos Humanos.