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O que mudou na NR-1? Entenda as novas exigências

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O que mudou na NR-1? Entenda as novas exigências

Nos últimos meses, a atualização da NR-1 se tornou um dos temas mais discutidos no universo de Recursos Humanos e gestão de pessoas. Mesmo assim, pesquisas indicam que 68% das empresas ainda não entenderam, de fato, o que mudou na NR-1.

O dado chama atenção porque a norma inaugura uma mudança importante na forma como as organizações precisam olhar para a saúde mental e segurança no trabalho.

A principal transformação está na ampliação do conceito de risco ocupacional. A partir de agora, as empresas passam a ter que considerar também os riscos psicossociais, ligados à forma como o trabalho é organizado e às condições emocionais que impactam os colaboradores.

Neste artigo, você vai entender o que mudou na NR-1 e como se preparar para essa nova realidade. 

O que é a NR-1?

A NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) estabelece as diretrizes gerais para a gestão de segurança e saúde no trabalho no Brasil.

Ela funciona como uma espécie de base para todas as outras normas de segurança do trabalho, definindo princípios e responsabilidades que devem ser seguidos pelas empresas.

Um dos principais conceitos introduzidos pela NR-1 é o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que determina que toda organização precisa identificar, avaliar e controlar os riscos presentes no ambiente de trabalho.

Na prática, esse gerenciamento se materializa por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documento obrigatório que reúne:

  • inventário de riscos;
  • plano de ação para mitigação;
  • acompanhamento e monitoramento contínuo.

Historicamente, esse gerenciamento sempre esteve muito associado a riscos físicos, químicos e biológicos. No entanto, a atualização recente da norma ampliou esse olhar. E é exatamente aí que entra a principal mudança da NR-1!

O que mudou na NR-1?

A grande atualização da NR-1 foi a inclusão formal dos riscos psicossociais no gerenciamento obrigatório de riscos ocupacionais.

Isso significa que as empresas passam a ter que considerar fatores relacionados à organização do trabalho, às relações profissionais e às condições emocionais dos colaboradores.

Para orientar as organizações, o Ministério do Trabalho passou a reconhecer 13 fatores de riscos psicossociais que devem ser observados pelas empresas: 

  1. Assédio de qualquer natureza
  2. Baixa clareza de papel ou função
  3. Baixa demanda de trabalho (subcarga)
  4. Baixa justiça organizacional
  5. Baixas recompensas e reconhecimento
  6. Baixo controle no trabalho / Falta de autonomia
  7. Eventos violentos ou traumáticos
  8. Excesso de demandas (sobrecarga)
  9. Falta de suporte no trabalho
  10. Más relações no ambiente de trabalho
  11. Má gestão de mudanças organizacionais
  12. Trabalho em condições de difícil comunicação
  13. Trabalho remoto e isolado

Esses fatores não significam que a empresa precisa avaliar individualmente a saúde mental dos trabalhadores. O objetivo da norma é outro: identificar condições de trabalho que possam gerar adoecimento e agir preventivamente sobre elas.

Em outras palavras, a NR-1 passa a reconhecer que o ambiente organizacional também pode ser um fator determinante para a saúde dos colaboradores.

Por que a NR-1 passou a incluir riscos psicossociais?

A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 responde a um cenário cada vez mais preocupante em relação à saúde mental no trabalho. Dados recentes ajudam a dimensionar esse problema.

Segundo o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025, o maior número da última década.

Além disso, estudos indicam que o Brasil já ocupa a segunda posição no mundo em casos de síndrome de burnout, afetando cerca de 30% a 40% dos trabalhadores.

Mesmo diante desse cenário, o cuidado com a saúde mental ainda enfrenta barreiras importantes. O Check-up de Bem-estar 2025 mostrou que 30% dos profissionais não fazem absolutamente nada para cuidar da própria saúde mental.

Não se trata apenas de produtividade ou redução de custos corporativos. Trata-se de reconhecer que o ambiente de trabalho pode ser um fator determinante para o bem-estar (ou para o adoecimento) das pessoas.

O que a NR-1 exige das empresas na prática?

A atualização da norma exige que as empresas adotem uma abordagem mais estruturada para lidar com os riscos psicossociais.

Isso vai muito além de reconhecer que esses riscos existem. A NR-1 estabelece uma sequência clara de responsabilidades.

Identificar os riscos psicossociais

O primeiro passo é realizar o mapeamento dos fatores de risco presentes na organização. Isso envolve analisar aspectos da cultura, da organização do trabalho e das relações profissionais que possam impactar o bem-estar dos colaboradores.

Ferramentas como pesquisas internas, avaliações organizacionais e diagnósticos psicossociais podem ajudar nesse processo. O importante é que a empresa consiga documentar quais fatores representam risco potencial para a saúde dos trabalhadores.

Avaliar o impacto desses riscos

Depois de identificar os fatores de risco, a empresa precisa avaliar o nível de exposição e impacto desses elementos no ambiente de trabalho.

Essa análise permite priorizar ações e direcionar esforços para os pontos mais críticos da organização. Dependendo do caso, isso pode envolver:

  • revisão de práticas de liderança
  • reestruturação de processos de trabalho
  • ajustes em metas ou cargas de trabalho

O objetivo é entender quais condições podem gerar estresse excessivo, conflitos ou desgaste emocional.

Criar um plano de ação preventivo

A NR-1 não se limita ao diagnóstico. Ela exige que as empresas desenvolvam um plano de ação para mitigar os riscos identificados.

Esse plano pode incluir diferentes iniciativas, como:

  • programas de bem-estar e saúde mental
  • políticas de prevenção ao assédio
  • capacitação de lideranças
  • melhoria na organização do trabalho

O importante é que as ações estejam registradas no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) e façam parte da estratégia da empresa.

Monitorar continuamente o ambiente de trabalho

Por fim, a norma exige monitoramento contínuo dos riscos. Isso significa acompanhar indicadores, revisar periodicamente o inventário de riscos e avaliar se as medidas adotadas estão funcionando.

A gestão de riscos psicossociais não é um projeto pontual: é um processo permanente.

Quando a nova NR-1 entra em vigor?

A nova NR-1 passa a valer a partir de 26 de maio de 2026.

A partir dessa data, as empresas deverão estar preparadas para demonstrar que estão identificando e gerenciando os riscos psicossociais dentro de seus programas de segurança e saúde no trabalho.

A expectativa é que o Ministério do Trabalho priorize auditorias em empresas com maior histórico de afastamentos ou denúncias relacionadas ao ambiente de trabalho.

No entanto, a norma se aplica a todas as organizações, independentemente do porte ou setor de atuação.

Por isso, especialistas recomendam que as empresas utilizem o período atual para revisar processos e estruturar suas estratégias de prevenção.

Como as empresas podem se preparar para a nova NR-1?

Para profissionais de RH e lideranças, a atualização da NR-1 representa mais do que uma nova obrigação legal. Ela marca uma mudança importante na forma de enxergar o cuidado com as pessoas.

Alguns caminhos podem ajudar as empresas nesse processo.

Criar mecanismos estruturados de escuta

Ambientes saudáveis começam com escuta ativa. Pesquisas de clima organizacional, canais de diálogo e avaliações periódicas ajudam a identificar sinais de desgaste emocional antes que eles se tornem problemas mais graves.

Esses mecanismos também permitem entender como os colaboradores percebem o ambiente de trabalho.

Preparar lideranças para lidar com saúde mental

Grande parte dos fatores psicossociais está diretamente ligada à forma como o trabalho é conduzido pelas lideranças.

Por isso, capacitar gestores para lidar com temas como pressão por metas, comunicação e gestão de equipes torna-se fundamental.

Lideranças bem preparadas ajudam a prevenir conflitos, reduzir tensões e criar ambientes mais equilibrados.

Estruturar políticas de bem-estar contínuas

Outro passo importante é sair da lógica de ações pontuais e construir uma estratégia contínua de bem-estar. Isso pode envolver iniciativas voltadas para:

  • saúde mental
  • equilíbrio entre vida pessoal e trabalho
  • acesso a suporte profissional
  • promoção de hábitos saudáveis

Quanto mais estruturada for essa estratégia, maior será a capacidade da empresa de prevenir riscos e promover ambientes de trabalho mais saudáveis.

A NR-1 e a nova fase na gestão de pessoas

Ao analisarmos o que mudou na NR-1, fica evidente que a saúde mental deixou de ser apenas um tema de bem-estar para se tornar parte central da estratégia de segurança das empresas.

Ao incluir os riscos psicossociais no gerenciamento obrigatório de segurança e saúde, a atualização da NR-1 reforça uma tendência que já vinha ganhando força no mercado.

Para o RH e para as lideranças, isso representa um novo papel: conectar gestão de pessoas, cultura organizacional e prevenção de riscos dentro de uma mesma agenda.

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