
Nunca se falou tanto sobre saúde mental como nos últimos anos. O tema passou de tabu para protagonista nas pautas das empresas. Ao mesmo tempo em que pessoas passam a estar mais abertas para discutir que podem não estar 100% com sua cabeça, as organizações têm se movimentado para evitar que esses problemas comprometam seus resultados.
E como as empresas podem promover não só a saúde mental, mas estimular o crescimento pessoal e profissional dos colaboradores? Um indivíduo não pode ser um “excelente profissional” quando pisa o pé no escritório, se ele não estiver integralmente bem na sua vida.
Recentemente, a Vidalink lançou a terceira edição do relatório Check-up de Bem-Estar 2025, que contou com mais de 11 mil respondentes, trabalhadores de empresas no Brasil.
Logo de início, o que chama a atenção é o fato de que a satisfação com a saúde mental piorou em relação ao ano anterior. Sentimentos negativos durante o trabalho são mais frequentes do que pensamos, infelizmente.
Nesse estudo, foi possível constatar que praticar exercícios físicos é a principal forma de cuidar da saúde mental, mostrando que “corpo são, mente sã” seja uma verdade, para todos os grupos pesquisados.
Em relação ao recorte de gênero, as mulheres recorrem muito mais à terapia e aos medicamentos que os homens, e os homens mais velhos da amostra passaram a buscar terapia (de 1% para 13% desse grupo!). E a meditação é uma grande saída para as mulheres mais maduras.
Os jovens são aqueles que menos recorrem aos exercícios físicos e à terapia como boas formas de cuidar da saúde mental. Fica a reflexão sobre o acesso a essas soluções, pois cuidar da saúde mental exige disponibilidade de tempo e de recursos.
As mulheres, por se cobrarem mais, são mais exigentes com elas mesmas, então mostraram maior insatisfação com sua saúde, atividades físicas, alimentação, sono e vida financeira, de acordo com o levantamento. Mas também possuem jornadas de trabalho mais intensas, ao considerar trabalho remunerado e não-remunerado.
Algo preocupante é que, adicionalmente, as mulheres convivem com sentimentos mais negativos que os homens, com larga diferença, o que gera uma sobrecarga significativa. E de alguma forma, os sentimentos vão melhorando ao longo da vida, pela maturidade que se ganha com a experiência. No entanto, é crítico observar que 72% das profissionais jovens lidam mais com sentimentos negativos que positivos.
Com tudo isso, onde as empresas ainda erram? De forma geral, alguns elementos podem ser listados: falta de diagnóstico apropriado sobre as pessoas e suas condições físicas e mentais, uma abordagem mais reativa do que preventiva, bem-estar geral que não considera as especificidades de uma força de trabalho diversa, liderança despreparada, e foco no indivíduo, mas não no sistema (estrutura, cultura e clima).
Dessa forma, as empresas devem investir em três grandes frentes:
1. identificar os grupos e os colaboradores que não estão em situação favorável para a saúde física e mental, promovendo ações e práticas mais imediatas e customizadas para apoiar nesse processo;
2. promover benefícios, práticas e políticas para implementar ações efetivas nos campos da saúde física e mental, sono, alimentação, e vida financeira;
3. preparar e desenvolver os líderes para que sejam grandes aliados a essa preocupação com o bem-estar, e não incentivar um ambiente doente e um ambiente que seja tóxico.
O grande recado é que cuidar de pessoas vale a pena moralmente e financeiramente. O cuidado compensa, pois é um investimento com retorno para as pessoas, para a sua reputação e para as suas finanças.
As pessoas que percebem que são cuidadas pela empresa são mais engajadas, dedicam mais energia ao seu trabalho, permanecem por mais tempo na organização, e recomendam mais a empresa como um excelente lugar para trabalhar. O retorno é certo, mas é necessário trabalhar de forma sistêmica e com o propósito claro.
- Por Lina Nakata, professora da FIA Business School. Texto publicado originalmente no blog O Especialista.



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